segunda-feira, 30 de março de 2015

O ENCANTO DOS ORIXÁS - Por Leonardo Boff




Como é bom saber que existem pessoas que não são umbandistas e conseguem ter a sensibilidade de entender a Umbanda, talvez mais do que muitos dos que se dizem umbandistas. Vale a pena ler o texto abaixo do teólogo Leonardo Boff:

"Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuína brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares de pessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.

O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno, mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.

O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus. 

A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.

Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação, pois é esse rigor que a natureza do espiritual exige.

Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.

Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu diga tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos. Deus desborda de nossas cabeças e dogmas."

sábado, 28 de março de 2015

SEMEANDO UMA RELIGIÃO: OS ORIXÁS|C.E.U Esperança


 


Muito se tem escrito sobre os sagrados orixás, e muito ainda terão de escrever, já que os orixás são mistérios divinos e, dependendo de quem os descreve, assumem as mais diversas feições. E, ainda que mantenham suas qualidades essências de “essência”) ou elementais (de “elemento”), no entanto cada um os descreve como os interpreta, entende ou idealiza.

As idealizações, ainda que sejam divergentes, são necessárias, pois, mais dias menos dias, uma delas se imporá em definitivo sobre todas as outras e, daí em diante, todos os umbandistas rezarão pela mesma cartilha. Mas enquanto isso não acontecer, não tenham dúvidas que continuarão os estímulos para que lancem idealizações, as mais próximas possíveis do nível consciêncial da maioria dos adeptos de Umbanda.

Os próprios orixás regentes estimulam as idealizações pelos praticantes instrutores, pois ou alcançam uma concepção ideal ou os umbandistas nunca falarão a mesma língua. Lembre-se que a Umbanda é uma religião nova e neste seu primeiro século de vida tudo é experimental. Não pensem que os orixás sagrados estão alheios ao que ocorre, pois não estão.

Eles observam todas as idealizações humanas que tentam torná-los compreensível a todos os umbandistas e têm amparado os idealizadores, não negando a oportunidade de propagarem suas concepções acerca do mistério “Orixás”.

Uns idealizadores são mais felizes e alcançam um número respeitável de adeptos. Mas outros, por causa das inúmeras dificuldades inerentes à missão de semeador de conhecimentos, logo desistem e decepcionam-se com a pouca acolhida aos seus escritos. Isto é assim mesmo e não pensem que com os idealizadores de outras religiões as coisas foram diferentes, pois não forem.

Para não irmos muito longe, saibam que o Cristianismo, em seu início, teve muitos idealizadores e cada um descreveu Jesus Cristo segundo sua visão, concepção, entendimento e compreensão do mistério divino que ele era e é em si mesmo.

Não pensem que para os idealizadores do Cristianismo as coisas foram fáceis, pois eles também não conseguiam se impor sobre a maioria dos cristãos.

Tantos escreveram sobre Jesus Cristo, que foi preciso um concílio para que ordenassem a confusão reinante nos três primeiros séculos da era cristã.

Hoje é fácil para um cristão, ao folhear o Novo Testamento, visualizar um Jesus Cristo divino e humano ao mesmo tempo em que lê suas mensagens ou sermões. Mas será que ele era visualizado assim, facilmente, no início do Cristianismo? É claro que não! O que sustentou a nascente religião foram os prodígios e os fenômenos religiosos (conversões e milagres) que ocorreram por toda parte, e sempre em nome de Jesus Cristo.

Prodígios e fenômenos são as chaves de toda semeadura religiosa e com a Umbanda não seria diferente, pois eles acontecem a todo instante por todo o Brasil e surpreendem os descrentes, os ateus, os zombeteiros e até… os fiéis umbandistas, já acostumados a eles nos seus trabalhos rituais.

Saibam que, em se tratando de coisas divinas, os prodígios e os fenômenos são coisas comuns e acontecem em todas as religiões, pois só assim o senso comum cede lugar à fé e permite que toda uma vida desregrada seja reordenada e colocada na senda luminosa da evolução espiritual e consciêncial.

Afinal, de nada adianta só a teoria sobre os orixás, se as práticas religiosas realizadas em seus nomes não suplantarem o senso comum arraigado como “normal”, religiosamente falando.

Neste aspecto, a Umbanda tem sido pródiga, pois os prodígios de alguns médiuns e os fenômenos realizados pelos mentores espirituais provam a todos que, por trás do visível está o invisível (Deus).

E, se fôssemos listar os prodígios e fenômenos, nunca terminariam porque estão se renovando a todo instante em lugares distantes, e sem qualquer ligação material entre si. Mas se assim é, é porque assim acontece com todas as semeaduras religiosas.

Alguns médiuns mais afoitos endeusam quem realiza prodígios e não entendem que o correto seria meditarem no porquê deles estarem acontecendo. Não percebem que os prodígios visam dar provas concretas dos mistérios ocultos regidos pelos sagrados orixás e que estes visam fornecer meios mais “terra” para a propagação horizontal da religião umbandista.

A Umbanda ainda é muito recente para prescindir dos prodígios e dos fenômenos. E nós esperamos que nunca os dispense, pois as pessoas mais descrentes ou arredias só se convencem da existência dos poderes divinos quando se deparam com os prodígios realizados pelos médiuns.

Aí sim, deixam de lado o senso comum, despertam para a fé e dedicam parte do tempo à religião.

A Umbanda é nova e talvez daqui a uns três séculos os seus dirigentes se reúnam e, tendo muitas idealizações sobre suas mesas, optem por uma que mais fale aos corações dos umbandistas de então.

E porque três séculos demoram para passar, e porque as idealizações existentes até o momento são muito “pessoais”, então vamos colocar a nossa à disposição para análise e, quem sabe, ela possa ser adotada, no todo ou em parte, quando forem comentar nossa religião.

Mas não esqueçam que, se os primeiros cristãos são vistos como exemplo a ser cultivado no campo religioso do Cristianismo pelo seu desprendimento, fé inabalável e tenacidade na defesa da religião que adotaram, vocês, os umbandistas de hoje, serão vistos, no futuro, pela forma que se portarem diante das dificuldades que esta nova religião está encontrando, já que ela é combatida pelas mais velhas com todas as armas, recursos e truculências que tem à disposição.

Afinal, os romanos tinham o circo onde atiravam os cristãos de então aos leões. Os neocristãos de hoje tem à disposição a televisão, onde atiram os umbandistas às hienas mercadoras da fé em Jesus Cristo.

Ou não é verdade que aqueles mercadores de fé, travestidos em “bispos”, divertem-se à custa dos humildes umbandistas, colocados a todo instante diante de inúmeras dificuldades econômicas para levarem adiante, e com dignidade, amor e respeito, a fé nos sagrados orixás, enquanto eles se locupletam à custa do desespero e da aflição de pessoas humildes e de boa fé, que acorrem aos seus templos movidos pelas promessas miraculosas de enriquecimento rápido à custa de um tal “Desafio a Deus?”.

Quem em sã consciência ousaria colocar as questões de fé e religiosidade nesses termos, senão as mesmas hienas famintas que afluíam ao circo romano em busca de prazer? Quem, em sã consciência, ousaria colocar a religiosidade diante de Deus como uma prova de enriquecimento material, senão mercadores da fé? Quem, senão apóstatas, ousariam levantar a Bíblia Sagrada e desafiar Deus a enriquecê-los, se nesta mesma Bíblia estão escritas, com o fogo da Fé, o sangue da Vida e as lágrimas dos humildes, as santificadas palavras de Jesus Cristo: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico (materialista) entrar no reino do céu”.Quem, senão os mercadores do templo, ousariam subverter a pregação de Cristo ao rico, conclamando-o a deixar tudo para trás, inclusive sua ambição, luxuria e apego aos bens materiais, pois só assim poderia segui-lo e conquistar um lugar à direita de Deus Pai?

Irmãos umbandistas, tudo se repete em religião. E, se bem já disse alguém quando disse que da primeira vez é uma tragédia, mas da segunda é uma comédia, então tudo está se repetindo, pois os primeiros cristãos eram lançados aos leões nos circos romanos, já os primeiros umbandistas, que somos nós, estamos sendo lançados às hienas da televisão… dos mercadores do templo, expulsos por Jesus a dois mil anos atrás, mas que, travestidos de neocristãos, estão, até isso, desafiando Deus a enriquecê-los!!!

Que Deus se apiede do espírito destes vis mercadores que envergonham o próprio Jesus Cristo, pois usam de seu santo nome para locupletarem-se à custa do sofrimento humano diante de tantas injustiças sociais, que não são menores do que as que se abatiam sobre a sofrida plebe romana.

Irmãos em Oxalá atentem bem para o que acabamos de externar e fortaleçam sua fé, pois os sagrados orixás são eternos e vocês os estão renovando no meio humano, e renovando a fé e a religiosidade de milhões de irmãos desencantados com as religiões mais velhas e que estão tão comprometidas com o atual estado de coisa, que não conseguem, com os recursos da fé, alterar as injustiças sociais ou despertar a religiosidade no coração de seus fiéis atuais.

Tenham consciência do momento atual de sua religião e portem-se à altura do que de vocês esperam os sagrados orixás, já renovados no Ritual de Umbanda Sagrada. E, creiam, daqui a alguns séculos as hienas terão se calado, pois terão encontrado a resposta de Deus a seus desafios.

Mas até que isso aconteça, fortaleçam sua fé no amor aos sagrados orixás, pois eles são as divindades regentes desse nosso abençoado planeta. E, se são chamados de “encantados” é porque encantam quem a eles se consagra e não se deixa abater pelas críticas sofridas, pelas zombarias achacadas ou pela falta de uma literatura umbandista mais incisiva para o momento atual e mais esclarecedora acerca dos
mistérios divinos que são os orixás.

Correspondam ao momento atual de sua religião e, no futuro, quando todos rezarem por uma mesma cartilha, aí se realizarão e dirão: “Meus amados orixás, valeu a pena minha tenacidade, resignação, humildade, amor e fé, pois minha religião prosperou entre os homens!”.

Saravá, meus orixás! Saravá, irmãos em Oxalá!

Fonte: "O Código de Umbanda" –  Rubens Saraceni

quinta-feira, 26 de março de 2015

RESSONÂNCIA DESARMÔNICA|C.E.U. ESPERANÇA


RESSONÂNCIA DESARMÔNICA

A região cerebral de um indivíduo recebe e emana ondas eletromagnéticas. Por vezes essas ondas, também conhecidas como perturbações, afetam a qualidade de operação do sistema e de suas sinapses, deixando o mesmo de ser um sistema ideal.
Trabalhando então, abaixo de sua condição potencial, favorece um desgaste e desajuste de outros  sistemas codependentes deste, levando-os a adquirir enfermidades.
A enfermidade por si só, já é um dreno natural. Jesus deixa claro em seus ensinamentos que por vezes ele curava moléstias, por outras curava enfermidades. Essa enfermidade pode advir de fatores endógenos ou exógenos.
Fatores endógenos são os de ordem psicológica, traumas desta vida ou de vidas passadas e exógenos são influenciações por parte de espíritos que querem prejudicar um indivíduo. Nesse segundo caso, há um esforço em atuar na área física, mental e emocional, de forma a desestabilizar o conjunto sistêmico, levando ao desequilíbrio e fragilização do alvo.
Existem espíritos das sombras capazes de manipular habilmente o sistema endócrino do organismo, causando deficiências hormonais e químicas, afetando os processos mentais e a qualidade das conexões nervosas.
Com o pensamento desorganizado, o indivíduo começa a potencializar emoções negativas, que rapidamente mudam sua faixa vibratória, sintonizando-o com os espíritos algozes. Intoxicado por energias e fluídos do astral inferior, este indivíduo começará a sentir no corpo físico os efeitos colaterais, pois os chacras estão absorvendo essas energias densas que estão atacando o períspirito e corroendo seu duplo etéreo.
Debilitado, o organismo atacado, apresentará distúrbios como a insônia, a ansiedade e a falta de concentração, que gerará comportamentos negativos como irritabilidade e agressividade. Aquele que naturalmente já apresenta esses comportamentos, facilita o trabalho dos obsessores que  atuarão no seu plexo solar, acentuando os sintomas energéticos causados pelos mesmos, como medos, fobias, inseguranças, culpas e falta de vontade de viver.
Mas o conjunto sistêmico nem sempre é abalado por fatores exógenos, por vezes ondas internas ao mesmo, provocam desvios e alteram a qualidade da corrente elétrica.
Um exemplo sobre isso é a autossabotagem. Esse mecanismo de defesa por vezes é ativado inconscientemente, quando o indivíduo se vê confrontado com experiências que de alguma maneira trazem à tona emoções, com as quais ele não consegue lidar. Cria então uma resistência.
Além de bloqueios emocionais e traumas, algumas pessoas carregam fragmentos de alma, ou seja, resíduos de energias de alguém que a marcou positiva ou negativamente, ou ainda sofrem de ataques psíquicos, presas por sentimentos de ódio e pena. Há os casos também, em que o indivíduo acredita ser merecedor dos martírios que lhe são impostos pelos obsessores.
Há várias formas de autossabotagem, mas não é nosso objetivo apresenta-las em questão e sim alertar que todas elas  são maneiras de impedir que a mudança e a transformação ocorram.
A melhor estratégia para combater esses males é Orar e Vigiar. Orando se mantém a conexão com o astral superior, recebendo as altas vibrações através do chacra coronário e expandindo-a pelos plexos, desintoxicando o organismo e amenizando os sintomas depressivos. Vigiando, pois o autoconhecimento é a chave para diagnosticar precocemente mudanças desfavoráveis que destoam da essência do ser.
Jesus nos ensinou: Sujeitai-vos a Deus, resisti ao mal e ele fugirá de vós. Manter pensamentos e emoções elevadas, reeducando-se favorece a dissipação dessas cargas. Associando essa reforma interior a um tratamento magnético de qualidade, consegue-se harmonizar novamente o sistema, revitalizando-o e submetendo-o a manutenção constante conseguirá uma relação saudável e harmônica com o Universo e consigo mesmo.
Vigiar e orar, meus irmãos!
Waleria Rosado
#CeuEsperança

domingo, 22 de março de 2015

O MAGNETISMO ABORDADO POR ALLAN KARDEC|LAR ESPERANÇA







Allan Kardec definiu o Magnetismo e o Espiritismo como ciências irmãs, como podemos confirmar no texto publicado na Revista Espírita:

“O espiritismo liga-se ao magnetismo por laços íntimos, considerando-se que essas duas ciências são solidárias entre si. Os espíritos sempre preconizaram o magnetismo, quer como meio de cura, quer como causa primeira de uma porção de coisas; defendem a sua causa e vêm prestar-lhe apoio contra os seus inimigos. Os fenômenos espíritas têm aberto os olhos de muitas pessoas, que, ao mesmo tempo aderem ao magnetismo. Tudo prova, no rápido desenvolvimento do Espiritismo, que logo ele terá direito de cidadania. Enquanto espera, aplaude com todas as suas forças a posição que acaba de conquistar o Magnetismo, como um sinal incontestável do progresso das idéias.” (Revista Espírita – Ano 1, 1858, pág. 421)


Ainda segundo Kardec, o Magnetismo preparou o caminho para o Espiritismo:


“O Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo, e o rápido progresso desta última doutrina se deve, incontestavelmente, à vulgarização das idéias sobre a primeira. Dos fenômenos magnéticos, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas não há mais que um passo; tal é a sua conexão que, por assim dizer, torna-se impossível falar de um sem falar do outro. Se tivéssemos que ficar fora da ciência magnética, nosso quadro seria incompleto e poderíamos ser comparados a um professor de física que se abstivesse de falar da luz. Todavia, como entre nós o magnetismo já possui órgãos especiais justamente acreditados, seria supérfluo insistirmos sobre um assunto que é tratado com tanta superioridade de talento e de experiência; a ele, pois, não nos referiremos senão acessoriamente, mas de maneira suficiente para mostrar as relações íntimas entre essas duas ciências que, a bem da verdade, não passam de uma.” (Revista Espírita – Ano 1, 1858, pág. 149)

quinta-feira, 19 de março de 2015

NOSSO LADO SOMBRA|C.E.U. Esperança




Sob a névoa da ilusão, não vemos nossos piores impulsos autodestrutivos. Eles são irresistíveis, até divertidos. Ressalte-se a imensa popularidade dos dramas de vingança como entretenimento, seja no teatro de Shakespeare ou no bangue-bangue do Velho Oeste. O que poderia ser melhor para soltar toda a raiva oculta, demolindo o inimigo e saindo altivo e triunfante? A sombra expressa seu poder fazendo com que a escuridão se pareça com a luz. As tradições sábias do mundo gastaram a maior parte de sua energia deparando com os mesmos dilemas básicos. A criação tem um lado sombrio. A destruição é inerente à natureza. A morte interrompe a vida. A decadência consome a vitalidade. O mal é atraente. Não é de admirar que a névoa da ilusão pareça um bom local para se estar. Se você encarar a realidade, verá que o lado sombrio é esmagador demais para suportar. No entanto, existe uma força oposta que vem com firmeza — e de forma bem-sucedida —, superando o lado sombrio. Os destroços de soluções fracassadas nos impedem de ver.

#CeuEsperança

terça-feira, 17 de março de 2015

ESCREVENDO SOBRE UMBANDA|C.E.U. Esperança


É muito complexo escrever sobre a Umbanda, pois ela arrebanha todo tipo de consciências, em função da diversidade de ritos.
Deixo claro que é minha opinião, que não espero que mude a de alguém. Apenas creio que seja um ponto de reflexão.
A Umbanda é uma escola evolutiva, onde somos alunos e professores de nós mesmo, mas, como em toda sociedade, o Astral Superior escolhe um líder espiritual, um dirigente para conduzir as almas ao caminho de Luz e de conhecimento.
Certamente não é uma missão fácil, pois, cada ser está em um estágio pessoal de evolução. Assim, todo respeito é necessário nesse processo de ligação, inclusive entre o mestre e o adepto.
Atualmente a internet oferece um acesso instantâneo ao "conhecimento", do mesmo modo que, concomitantemente, tornou vulgar e profano segredos religiosos tradicionais. Enfim, as informações são desencontradas e trazem uma confusão incomensurável.
Outrossim, o nosso mundo mercantilista é afoito por vaidosos que anseiam pelo "poder", através de conhecimentos inócuos, de diploma de sacerdócio que infelizes cursos VENDEM, depois, de frequentar algumas aulas e fazer algumas obrigações, gerando centenas de sacerdotes que não possuem qualquer conhecimento real, vivência, muito menos equilíbrio pessoal. Enfim, pessoas sem qualquer missão sacerdotal são diplomadas como Babalawôs ou Magos disso ou daquilo...
Certamente, no meio desse tantos diplomados existirão sacerdotes de fato e de direito... Contudo, esse diploma/curso não os habilitará, apenas dará um diplominha...
Tão ignorantes são que chamam sacerdotisas de Babá, quando esse termo yorubá se traduz por PAI. No caso feminino, o correto é Iya, que é MÃE, ou seja, Iyalorixá
Ser sacerdote virou modismo... Em uma ganância eterna pelo eterno poder magístico. Pobres Almas...
Sacerdotes não se fazem em sala de aula, não se formam em cursinhos, afinal, não se conquista conhecimento sagrado dessa forma... Pasmem: até curso pela internet já existe...
A Umbanda é contemplação silenciosa, é vivência, é respeito pelo sagrado, é luta do bem contra o mal e, sobretudo, é um exercício de humilde... É reflexão constante!
SACERDOTES NASCEM SACERDOTES... Os ritos e iniciações, apenas, consagram em ordens e direitos aqueles que já foram predestinados a tal encargo, oficializando e ofertando saberes "secretos" aos que vão conduzir seus pares pelo caminho da Luz.
Em minha opinião, existe UMBANDA, pouco importa se ela é sagrada, branca, mista, traçada, colorida, esotérica... Em primeiro lugar, Umbanda tem que ser Umbanda, não permitindo invencionices (magia disso ou daquilo), nem tão pouco, trazer cultos afros para dentro do ritual... Nosso modelo de Umbanda já está aí, pois, Zélio Fernandino de Moraes, deixou um legado... Estudemos a história da Umbanda! No que pese a Umbanda aceitar e correlacionar conhecimentos de várias tradições, ela é Umbanda!
Por exemplo, nos Cultos Africanos e de Matriz Afro-Brasileira existem quatro tipos (especialidade) de Sacerdócio:
- Babalawo - Pai de Segredo: são os sacerdotes do culto de Ifá;
- Babalorisa - Pai de Santo: são os que cultuam Orixás;
- Babalosanyin ou Onisegun - Pai dos segredos das Folhas (Ewe)
- Babaoje ou Mariwo - Pai do Culto de Egungun, sendo membros da sociedade secreta dos Mariwo.
Contudo, na Umbanda, o termo correto é apenas PAI ESPIRITUAL. Pois, apesar da Umbanda possuir íntimas relações com os cultos afro-brasileiros, não faz parte deles.
Por derradeiro, o Pai de Santo de Umbanda é denominado, apenas, de Pai...
A Umbanda vem trazendo uma mensagem de simplicidade! A função do Pai Pequeno ou Mãe Pequena na Umbanda, não é sacerdotal. Em verdade é um assistente ritualístico imediato do Pai Espiritual, um cargo de confiança.
Frise-se que, o Pai Espiritual de Umbanda cuida dos Orixás, através da ligação com os Guias e Entidades (Ancestrais/Egungun), bem como, manipula os axés das folhas sagradas, pertinentes ao culto de Umbanda. Logo, a função do Pai Espiritual, ao modo da Umbanda, é completíssima...
Dentre as funções do Pai Espiritual, a mais importante é demonstrar aos adeptos, a essência sagrada em tudo que lhe for pertinente...
Conclamo a todos que, comecemos a completar nosso ritual, para que possamos nos situar dentro dos trabalhos, com responsabilidade e comprometimento, visando nosso próprio crescimento, enquanto almas em evolução.
Lembremos que cada umbandista representa a Umbanda!
Preocupemos-nos menos em ser Magos, Babá, Iyá Mestre e sejamos médiuns, para que assim, com trabalho, dedicação, amor e caridade, consigamos cumprir aquilo que cabe dentro de nosso carma, por que a oportunidade de avançar na seara espiritual está aí.
Que a Luz de Oxalá nos guie pelo caminho da pureza, da humildade e da sabedoria!

Douglas Garcia Neto

domingo, 15 de março de 2015

O SABOR DA CAMINHADA|C.E.U. Esperança



O Sabor da Caminhada

A vida parece muitas vezes difícil. Eu sei! E você ainda diz, meu filho, que a vida é dura... Pai-velho lhe fala com todo o carinho que essa dureza da vida é só aparência, pois, se a vida lhe parece dura, é porque você é mole.

O vencedor na vida é aquele que não abandona a jornada e prossegue confiante, superando os obstáculos. Numa corrida, o atleta encontra, naturalmente, desafios a vencer e muitas barreiras, que exigem mais disposição, firmeza e coragem. Nenhuma vitória é conquistada sem lutas.

Se você adotou uma idéia, uma doutrina ou filosofia, não espere que as coisas sejam fáceis. Surgirão dificuldades, que servirão de teste para averiguar sua competência e seus valores.

Se você empreende um negócio, não seja imaturo a ponto de pensar que tudo será como um mar de rosas. Como todo ser humano, você só atingirá a tranquilidade após o esforço da conquista.

Sem aqueles espinhos, sem as pedras e desafios ou as sinuosidades do caminho, não aprenderíamos o valor das experiências, nem teríamos noção da grandeza da vitória. Enfim, sem os obstáculos, meu filho, ninguém conseguiria saborear a vida e o viver.

Aprenda a viver o caminhar, a sentir o sabor do percurso, e quem sabe você não perceberá a beleza da paisagem?

Não espere a vitória plena a fim de se alegrar, de se descontrair ou usufruir as coisas boas. Aproveite a caminhada e aprecie a beleza a seu redor durante a jornada. A viagem rumo à vitória é mais saborosa em seu percurso que na linha de chegada.

Se lhe parecem difíceis os dias e você se encontra ligado ao trabalho nobre e ao compromisso com o Alto, imagine como seria, então, caso você estivesse desligado da fonte sublime que alimenta sua alma.

Honre, portanto, a oportunidade que Deus lhe concedeu e, aprendendo a ampliar seus próprios limites, prossiga fiel ao chamado divino. A sua felicidade é permanecer conectado à seiva viva do amor. Pense nisso e reavalie suas decisões.

Pai João de Aruanda